
“The Parking Lot Movie” é um documentário sobre a rotina de trabalho dos funcionários de um estacionamento da região central da cidade de Charlottesville, Virgínia. Rotina essa que abarca longos trechos de calmaria, quando não acontece muita coisa, mas há, de vez em quando, uma explosão de atividade, na qual muitas vezes exige um pouco de atitude, pelo fato de frequentemente aparecerem clientes irritantes negando-se a pagar os centavos de dólar exigidos pelos serviços prestados.

O estacionamento Corner, empreendimento em questão, é situado em uma pacata cidade universitária (Universidade da Virgínia), onde existe uma mistura de classes que se atrita nas noites de dias úteis e na vida noturna do fim de semana. Este estabelecimento é apresentado ao espectador com uma dosagem interessante de absurdismo e intelectualismo por conta dos entrevistados. Em suma, o lugar tem personalidade. E o mesmo acontece com o filme. Percebo neste documentário uma pegada antropológica, pois a diretora Meghan Eckman utiliza-se da linguagem ausiovisual para realizar um registro documental que fornece dados que extrapolam os conceitos materiais de cultura de uma sociedade, no caso os funcionários e ex-funcionários do estacionamento Coner e o depoimento deles sobre o trabalho prestado, assim como sobre as pessoas que frequentavam o estacionamento . Neste documentário, encontramos símbolos identitários que servirão de referência sobre este determinado grupo de pessoas durante o tempo em que prestam serviço para este empreendimento.
Este documentário nos apresenta um grupo de excêntricos funcionários composto por estudantes de pós-graduação, filósofos, aspirantes a músicos, tipos artísticos e homens de meia-idade preguiçosos.

indelicados.
Nas entrevistas os atendentes discorrem sobre sua performance de não fazer nada, assim como o feito de ficar mesmo com o rude, que os clientes que os tratam como seres inferiores. A desconcentração gradual do entusiasmo ao ressentimento destas pessoas que desenvolveram um auto-conhecimento suficiente para perceber que o tempo que prestam serviço para este estabelecimento é um processo interessante. Na tentativa de distrair-se do marasmo e da ociosidade, os atendentes divertem-se de qualquer forma, escrevem mensagens aleatórias sobre o portão do estacionamento, compõem canções, e até mesmo inventam competições bizarras. O portão do estacionamento é uma tábua que é adornada diariamente, pelos funcionários com escritos sobre aspectos existenciais do estabelecimento e curiosidades da cultura pop aplicada ritualmente com stencils e tinta spray. A Rotina dessas pessoas engloba violões, jogos bizarros inventados por eles mesmos e inscrições de graffiti sobre o que significa a arte de tornar um atendente de estacionamento.

Eckman criou um banco de dados coletando entrevistas destes atendentes que frequentemente são reclamações pontuando aspectos sobre sua rotina de trabalho, ocorrências do dia-a-dia e a natureza da humanidade. Esta atividade, por envolver o uso da imagem dentro de um processo de estudo da alteridade, integra-se no campo da antropologia visual, na medida em que um acervo de imagens é construtor da memória cultural e histórica destas pessoas. Através das entrevistas com ex-funcionários que se deslocaram percebemos em seus depoimentos que este tempo empregado ao estacionamento foi uma espécie de rito de passagem que lhes ofereceu uma perspectiva de Zen. Como um manobrista lamenta, “Tínhamos tudo em um mundo que não tinha nada a nos oferecer.” Percebemos nestas questões códigos do realismo, adaptados ao contexto das imagens igualmente encontrados em materiais produzidos no âmbito da Antropologia .
Bibliografia
BARBOSA, Andrea; CUNHA, Edgar Teodoro da. Antropologia e imagem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2006.
Site
http://www.theparkinglotmovie.com - último acesso: 23/05/2011.
Filmografia
The Parking Lot Movie
FICHA TÉCNICA
Diretor: Meghan Eckman e Christopher Hlad
Elenco: - documentário -
Produção: Meghan Eckman
Roteiro: Meghan Eckman
Fotografia: Meghan Eckman e Christopher Hlad
Duração: 96 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Documentário
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Classificação: 14 anos
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